TECIDOS
TECIDO EPITELIAL.
Sabemos que grupos de células que são similares quanto à estrutura, função e origem embrionária, e que são unidas por quantidade variada de material intercelular, são referidos como tecidos. Apesar da complexidade do organismo humano, há apenas quatro tipos básicos de tecidos: o epitelial, o conjuntivo, o muscular e o nervoso.
Os epitélios são, por definição, camadas de células que recobrem as superfícies e revestem as cavidades do corpo. Em geral, recobrem a maioria das superfícies livres do corpo, interna e externamente.
Os epitélios são constituídos por células geralmente poliédricas, justapostas, entre as quais se encontram poucas substâncias intercelulares. Uma das propriedades dos tecidos epiteliais é a capacidade de coesão entre as células, as quais formam camadas celulares contínuas. As células epiteliais estão sempre acompanhadas de tecido conjuntivo subjacente, com o qual ficam ligadas por uma delgada camada, denominadas de membrana basal.
Tecido epitelial pode ser classificado em duas categorias: membrana de cobertura ou revestimento e o glandular. O tecido epitelial forma uma barreira, que recobre as superfícies do corpo e o revestimento dos tubos e ductos que se comunicam com a superfície. Também reveste as cavidades naturais como: a boca, as fossas nasais e o conduto auditivo.
Composição:
As membranas epiteliais são compostas unicamente por células. Para que as células epite-
liais formem uma membrana contínua, suas bordas são unidas pelas junções celulares. Essa membranas possuem espessura variável, sendo que algumas têm a espessura de apenas uma célula.
FUNÇÕES:
Os tecidos epiteliais têm como funções principais:
Revestimento das superfícies
Absorção
Secreção
Sensorial
Alarga distribuição dos epitélios no organismo, em órgãos com as mais diversas funções, explica o porquê da variada morfologia e fisiologia dos tecidos epiteliais.
NUTRIÇÃO E INERVAÇÃO:
Com raras exceções, os vasos sangüíneos não penetram nos epitélios, de modo que não há contato direto das células com a parede dos vasos. A nutrição dos epitélios geralmente é feita por difusão dos nutrientes através da membrana basal, que é a conexão ao tecido conjuntivo. Portanto, para que o oxigênio e os nutrientes possam chegar a suas células, eles devem se difundir pela substância intercelular do tecido conjuntivo subjacente, a partir dos capilares deste. No caso dos epitélios pluriestratificados os nutrientes devem passar por um número variável de camadas para atingir as células mais superficiais. Os epitélios são inervados, recebendo terminações nervosas livres que, às vezes, formam uma rica rede intra-epitelial.
CLASSIFICAÇÃO
:
O epitélio de revestimento é geralmente classificado de acordo com a forma das células da superfície livre do tecido, porção das células epiteliais que forma a superfície do corpo ou reveste as cavidades e a luz dos vários tubos, e com o número e arranjo das camadas celulares do tecido. Geralmente a forma do núcleo acompanha a forma da célula. O eixo maior do núcleo acompanha sempre o eixo maior das células. Como freqüentemente não se observam limites nítidos entre as células epiteliais, a forma dos seus núcleos é de grande importância, pois nos dá, indiretamente, uma idéia da forma das células, e indica se elas estão dispostas em uma ou várias camadas.
QUANTO AO NÚMERO DE CAMADAS:
Epitélio Simples: É quando a membrana epitelial é formada por uma única camada de células. A totalidade das células está em contato com a lâmina basal.
Epitélio Estratificado: Quando a espessura é dada por duas ou mais camadas de células.
Epitélio Pseudo-estratificado: Quando algumas células da membrana basal estendem-se da parte mais inferior até a superfície, e outras não, simulando mais de uma camada, já que os cortes perpendiculares à superfície mostram núcleos em dois níveis. Todas as células tocam a lâmina basal.
QUANTO A FORMA DAS CÉLULAS.
Epitélio Pavimentoso:
Consiste de células achatadas que se assemelham aos ladrilhos do pavimento. Pode ser simples ou estratificado.
Epitélio Cúbico:
Consiste de células semelhantes a cubos. Pode apresentar-se de forma simples ou estratificada.
Epitélio Cilíndrico:
Consiste de células que se assemelham a colunas verticais. Este pode ser simples, estratificado, pseudo-estratificado ou especializado.
RENOVAÇÃO
Os epitélios são tecidos cujas células têm vida limitada, são catalogados como tecidos lábeis, ocorrendo contínua renovação de suas células, graças a uma atividade mitótica contínua. Nos epitélios estratificados, em geral, as mitoses ocorrem nas células situadas junto à lâmina basal.
TECIDO CONJUNTIVO.
Os tecidos conjuntivos caracterizam-se por apresentarem tipos diversos de células, separadas por abundante material intercelular, sintetizado por elas, representado pelas fibras do conjuntivo e pela substância fundamental amorfa. Banhando este material e também as células há uma pequena quantidade de fluido, o líquido intersticial. A água extracelular presente no conjuntivo está na camada de solvatação das glicosaminoglicanas. Há uma homeostasia nos tecidos conjuntivos, isto é, a quantidade e a qualidade de colágeno nos diferentes órgãos ou tecidos são ativamente reguladas em nível local.
A relação constante de parênquima e colágeno em diferentes condições fisiológicas e patológicas, que em certas circunstâncias, requer deposição e em outras, a reabsorção de proteína extracelular. O conjuntivo armazena grande quantidade de proteína plasmática, em sua extensão. Um terço das proteínas plasmáticas do organismo está nos espaços intercelulares do tecido conjuntivo.
Diversos hormônios influem no metabolismo do conjuntivo, entre eles estão o cortisol ou hidrocortisona, que inibem a síntese das fibras do conjuntivo. O tecido conjuntivo apresenta uma grande capacidade de regeneração. Varia consideravelmente tanto na forma como na função. Alguns servem como arcabouço sobre o qual as células epiteliais se dispõem para formar órgãos; outros agrupam vários tecidos e órgãos, sustentando-os nos próprios locais; outros contêm o meio (líquido intersticial) através do quais nutrientes e resíduos transitam entre o sangue e as células do corpo; outros servem como locais de estoque para materiais alimentares em excesso, sob a forma de gordura; e ainda outros, formam o rígido arcabouço esquelético do organismo. Os tecidos deste grupo desempenham as funções de sustentação, preenchimento, defesa, nutrição, transporte e reparação.
O material intercelular do tecido conjuntivo é formado por substância fundamental e fibras. O tecido conjuntivo apresenta fibras colágenas, elásticas e reticulares, podendo existir mais de um tipo de fibra em um tecido. As fibras predominantes, de um determinado tecido, são as responsáveis pelas propriedades de mesmo.
CLASSIFICAÇÃO:
TECIDO CONJUNTIVO PROPRIAMENTE DITO.
Tecido Conjuntivo Frouxo: O tecido conjuntivo propriamente dito é aquele onde não há predominância acentuada de nenhum dos elementos constituintes e as suas fibras não apresentam um arranjo organizado. Devido às lacunas existentes entre os seus elementos é também denominado de tecido areolar. O tecido conjuntivo frouxo apóia e nutri as células epiteliais, sendo encontrado na pele, nas mucosas e nas glândulas. Por sua riqueza em glicosaminoglicanas, armazena água e eletrólitos, entre os quais predomina o sódio. Se houver acúmulo excessivo de líquido neste tecido, a área afetada torna-se edemaciada. As células mais comuns são os fibroblastos e os macrófagos. È um tecido de consistência delicada, flexível e pouco resistente às trações. Um exemplo de tecido conjuntivo frouxo é o tecido subcutâneo.
Tecido Conjuntivo Denso: Há predominância acentuada de fibras colágenas, sendo que as células mais numerosas são os fibroblastos. No tecido conjuntivo denso irregular os feixes colágenos formam uma trama tridimensional, o que confere ao tecido certa resistência às trações em qualquer direção, como por exemplo na derme. Já no tecido conjuntivo denso regular os feixes colágenos são orientados seguindo uma organização fixa, em resposta a trações exercidas num determinado sentido, como por exemplo nos tendões musculares.
TECIDO CONJUNTIVO DE PROPRIEDADES ESPECIAIS.
Neste contexto enquadram-se os tecidos: adiposo, elástico, reticular e mucoso, os quais serão abordados juntamente com os seus respectivos componentes principais.
Ainda como classificação do tecido conjuntivo temos o tecido cartilaginoso e o tecido ósseo.
SUBSTÂNCIA FUNDAMENTAL AMORFA.
A substância fundamental amorfa se caracteriza por preencher os espaços entre as células e as fibras do conjuntivo e, sendo viscosa, representa, até certo ponto, uma barreira à penetração de partículas estranhas no interior dos tecidos. A sua consistência varia desde um gel fluido até um gel semi-sólido. Alguns pesquisadores afirmam que a fase gel é rica em proteoglicanas, e adquire uma capacidade físico-química de fixar líquido para dentro de sua estrutura, efeito este chamado de “esponja”. A pressão osmótica pode ser aumentada por ação dos proteoglicanos, afetando conseqüentemente o transporte e a retenção de íons na matriz extracelular. Portanto, a difusão da matriz estaria afetada em diversas circunstâncias, sendo que mudanças no seu estado e composição química influenciariam profundamente tanto as células quanto o tecido como um todo.
A importância dos glicosaminoglicanos não se restringe à sustentação e transporte molecular, eles atuam também na produção do colágeno pelos fibroblastos, bem como e seu arranjo tridimensional. Além disso, os proteoglicanos são capazes de incrementar o depósito de colágeno e reconstituir a matriz extracelular.
A substância fundamental amorfa constitui o elemento não fibroso da matriz, na qual as células e outros componentes estão mergulhados. É incolor, transparente e opticamente homogênea, formada principalmente por proteoglicanas, ácida hialurônico e glicoproteínas. Dentre as principais classes de macromoléculas, estão os mucopolissacarídeos, também denominados de glicosaminoglicanos, que quando ligados covalentemente às proteínas, formam complexos de alto peso molecular denominado proteoglicanos.
Os glicosaminoglicanos unidos aos proteoglicanos formam um gel amorfo, hidratado, no qual as fibras colágenas e do sistema elástico ficam embebidas. Enquanto as fibras elásticas dão sustentação, ajudando a organizar a matriz, a fase aquosa do gel constituída de polissacarídeos permite a difusão dos nutrientes, metabólitos e hormônios entre o sistema circulatório e as células teciduais.
Dentre os glicosaminoglicanos não sulfatados, o mais abundante no tecido conjuntivo é o ácido hialurônico, sendo que entre os sulfatados os mais abundantes são os sulfatos de condroitina. Os glicosaminoglicanos são glicídios de peso molecular elevado, extremamente hidrófilo, por possuírem radicais sulfatados, de modo que cada molécula se liga a um grande número de moléculas de água. A água na substância fundamental acha-se em sua quase totalidade na camada de solvatação dos glicosaminoglicanos e serve de veículo para a passagem por difusão, de substâncias hidrossolúveis, as quais se difundem pelo conjuntivo sem que haja movimento de líquidos. A presença de grupos carregados negativamente em muitos destes pilímeros determina seu poder de fixar íons, de modo que podem agir como uma barreira seletiva à passagem de íons inorgânicos e moléculas carregadas. O sódio, no tecido conjuntivo, é a substância mais comumente encontrada ligada aos glicosaminoglicanos.
No conjuntivo, ao lado da substância fundamental, o líquido intersticial contém pequenas quantidades de proteínas plasmáticas que pequeno peso molecular, que atravessam a parede dos capilares devido à pressão hidrostática do sangue. A água presente na substância intercelular do conjuntivo origina-se do sangue, passando através da parede dos capilares é impermeável às moléculas, porém deixam passar água, íons e moléculas pequenas inclusive algumas proteínas de baixo peso molecular. Em condições normais a quantidade de líquido intersticial é insignificante.
Vários fatores podem modificar os glicosaminoglicanos e proteoglicanos na matriz:idade(diminuição na fase senil), gravidez(aumento),diabetes(diminuição na concentração),hormônios(estrógeno-aumento,ACTH-diminuição,cortisol-diminuição), enzimas(a hialuronidase hidrolisa o ácido hialurônico,mas não os glicosaminoglicanos que são ácidos sulfatados),radicais livres(despolimerizam o ácido hialurônico),vitaminas A e C(regulam a síntese a secreção),entre outros.
Fibras Colágenas.
As fibras colágenas são as mais freqüentes do tecido conjuntivo, sendo constituídas por uma escleroproteína denominada colágeno, que proporciona o arcabouço extracelular para todos os organismos pluricelulares. Sem o colágeno, o homem ficaria reduzido a um amontoado de células.
O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano, representando 30% do total das proteínas deste. Esta proteína representa aproximadamente 70% do peso da pele seca. Foram isolados e caracterizados cinco tipos de colágeno. Os mais conhecidos são os colágenos intersticiais do tipo I, II e III. O tipo I, principal constituinte da pele, tendão, osso e paredes dos vasos, são sintetizados por fibroblastos, células do músculo liso e osteoblasto. Enquanto os osteoblastos sintetizam somente o colágeno do tipo I , as células do músculo liso também produzem do tipo III. O tipo II, constituinte da cartilagem hialina, é produzido pelos condrócitos.
O colágeno tem como função fornecer resistência e integridade estrutural a diversos tecidos e órgãos, sendo que para se romper uma fibra de colágeno de 1 mm de diâmetro, exige-se uma carga de 10 a 40 kg.
A unidade protéica que se polimeriza para formar as microfibrilas é o tropocolágeno, sendo que a polimerização do colágeno é particularmente dependente do equilíbrio eletrolítico da substância fundamental. Cada molécula de tropocolágeno pode ser posteriormente subdividida em três cadeias polipeptídicas arranjadas em uma tríplice hélice. Estas cadeias estão unidas por ligações covalentes em várias posições ao longo de sua extensão. É o arranjo regular de moléculas paralelas unidas tranversalmente que dá ao colágeno sua grande resistência mecânica.
As fibras do colágeno são muito duras no estado nativo e resistente à digestão. Entretanto, as colagenases que estão presentes em muitos tipos celulares (fibroblastos, macrófagos, algumas células epiteliais etc.) podem cindir o colágeno em condições fisiológicas, que são então susceptíveis de digestão por outras proteases neutras existentes no espaço extracelular. As colagenases são enzimas capazes de produzir degradação do colágeno nativo em forma de fibrila, sob condições fisiológicas.
As fibras colágenas,em última análise,proporcionam a força tênsil dos ferimentos na fase de cicatrização.O seu metabolismo,nos tecidos normais,consiste num equilíbrio entre biossíntese e degradação.São reabsorvidas durante o crescimento, remodelação, involução, inflamação e reparo dos tecidos.A reabsorção é iniciada por colagenases específicas que podem digerir as moléculas de tropocolágeno da fibra. A direção de formação da fibra, por outro lado, parece dependente da tensão que age no tecido. A relação entre a tensão de um lado, o ritmo e a direção da formação da fibra de outro é incerta, mas pode envolver movimento de fibroblastos ao longo das linhas determinadas pelas correntes piezoelétricas conseqüentes à deformação de fibras colágenas pré-formadas.
As fibras colágenas são birrefringentes, pois são constituídas por moléculas alongadas e paralelas. Desse modo, quando examinadas ao microscópio de polarização, entre dois prismas de Nicol cruzados, essas fibras aparecem brilhantes, contra um fundo escuro.
Quando a fibra é aquecida até sua temperatura de encurtamento em pH ácido ou alcalino, além da retenção, ela se solubiliza como gelatina, sendo que as gelatinas comerciais são preparadas com tecidos conjuntivos (osso, por exemplo) por fervura em água, sob condições acidógenas ou alcalinas. A síntese do colágeno é alterada por diversos fatores, como no caso da administração de altas doses de cortisona por longos períodos, produzindo uma diminuição no teor de colágeno nos tecidos.
Fibras Elásticas.
São delgadas, sem estriações longitudinais, ramificando-se de forma semelhante a uma rede de malhas irregular. De cor amarelada, têm como componente principal a elastina, uma escleroproteína muito mais resistente do que o colágeno, e a microfibrila elástica, formada por uma glicoproteína especializada. Estas fibras cedem facilmente a trações mínimas, porém retornam facilmente à sua forma original, tão logo cessem as forças deformantes. Suportam grandes trações.
A elastina é a proteína mais resistente do organismo, sendo encontrada em pequena quantidade na pele. É um dos componentes do tecido conjuntivo e apresenta uma forma ondulada, sendo fortemente refratária ao microscópio. É responsável pela elasticidade das fibras do tecido elástico, constituindo aproximadamente 4% do peso seco da pele e possuindo distensibilidade de 100 a 140%.
Quando observadas à luz da microscopia ótica, as fibras elásticas originam-se da derme média e profunda, formando uma malha, e alcançam fibras ditas elaunínicas, que são constituídas e pouco material amorfo, situadas na junção derme-epiderme. Outras fibras denominadas oxitalânicas são consideradas pré-elásticas ou imaturas, ou modificadas, por não apresentarem elastina, e estão presentes em zonas submetidas a altas tensões, tais como ligamentos e tendões.
Os fibroblastos sintetizam glicoproteínas microfibrilares carregadas negativamente, formando as fibras oxitalânicas e a tropoelastina carregadas positivamente. A tropoelastina é a precursora solúvel da elastina, e é atraída por forças eletrostáticas negativas através de microfibrilas, para formar fibras elaunínicas.
A elastina no organismo adulto se apresenta em contínuo catabolismo fisiológico, que é induzido pelas elastases e acelerado pela deposição de lipídios e cálcio no tecido elástico. É sintetizada pelas células musculares lisas, células endoteliais, fibroblastos e condroblastos fibrocartilaginosos.
As alterações degenerativas das fibras elásticas relacionadas ao envelhecimento se iniciam por volta dos trintas anos, ficando mais acentuadas aos setenta; há um progressivo desaparecimento das fibras elásticas da derme superficial, com conseqüente aumento dos lipídios. O seu envelhecimento é caracterizado por cistos e lacunas, que resultam na separação de uma fibra das outras. Anormalidades de fibras elásticas são também encontradas na pele de jovens diabéticos ou de estrias atróficas.
A associação de uma determinada alteração morfológica a um defeito bioquímico específico é difícil, quando não há defeito há defeito molecular óbvio. Parece que a matriz do tecido conjuntivo da derme elabora uma resposta coordenada para uma alteração genética, influenciado não apenas aquela proteína, mas também a estrutura de outras, bem como as propriedades mecânicas e arquiestruturais do tecido, mantendo relação entre os achados clínicos e os defeitos bioquímicos.
As alterações das fibras elásticas adquiridas com o envelhecimento diferem das encontradas na principal alteração do envelhecimento da pele, a elastose actínica, que é uma perda progressiva da elasticidade da pele. Muitas patologias dermatológicas promovem alterações morfológicas do sistema elástico perfeitamente conhecido e alterações bioquímicas não completamente elucidadas. As fibras elásticas são os maiores elementos da derme a serem eliminados transepitelialmente em estados patológicos, numa situação caracterizada como reação de corpo estranho, envolvendo linfócitos e histiócitos.
Há algumas situações adquiridas de destruição das fibras elásticas, como a atrofia macular, caracterizada histologicamente por uma deficiência adquirida do tecido conjuntivo da derme, particularmente do tecido elástico. As estrias são atrofias lineares adquiridas, em que as fibras elásticas são escassas e a pele atrófica.
Fibras Reticulares.
São fibras anastomosadas umas às outras, que se dispõem formando uma estrutura semelhante a uma rede. Estas fibras com freqüência formam o arcabouço interno (estroma) das glândulas, através do quais as células epiteliais que formam o corpo da glândula permanecem unidas. As fibras reticulares são curtas, finas e inelásticas, constituídas principalmente por um tipo de colágeno denominado reticulina. São particularmente abundantes. Os fibroblastos são responsáveis pela sua produção na maioria dos tecidos conjuntivos.
As células do tecido conjuntivo, com suas características e funções próprias, determinam o aparecimento de vários tipos de tecidos. São elas: fibroblastos, macrófagos, células mesenquimatosas indiferenciadas, mastócitos, plasmócitos, leucócitos e células adiposas.
Fibroblasto
É a célula mais comum do tecido, responsável pela formação das fibras e do material intercelular amorfo. Sintetiza colágeno, mucopolissacarídeo e também fibras elásticas. A forma ativa da célula é denominada de fibroblasto, possui prolongamentos citoplasmáticos irregulares, e seu núcleo apresenta forma ovóide, de cor clara, com o nucléolo evidente e cromatina fina. Já a denominação utilizada para a forma inativa da célula é fibrócito, que é menor, fusiforme e com íntimos prolongamentos. Nesta forma, o núcleo apresenta-se menor, alongado e escuro. Mediante um estímulo adequado, como ocorre nos processos de cicatrização, o fibrócito pode voltar a sintetizar fibras, reassumindo o aspecto de fibroblasto.
Os fibroblastos são particularmente ativos durante o processo de reparação. A atividade fibroblástica é influenciada por vários fatores, tais como regimes dietéticos e níveis de hormônio esteróide. Na deficiência em vitamina C existe dificuldade na formação de colágeno. No tecido conjuntivo adulto, os fibroblastos não se freqüência; apenas entram em mitose quando ocorre uma solicitação, como, por exemplo, nas lesões do tecido conjuntivo.
Dentre os diferentes tipos de células diferenciadas de um dado tecido, as que melhor crescem em culturas são os fibroblastos, cuja velocidade corresponde à das células do tecido conjuntivo. Este fato é importante uma vez que é possível obter-se respostas biológicas in vitro utilizando-se células animais em cultura. A utilização dos fibroblastos em cultura, como sistema modelo para o desenvolvimento de estudos biológicos, é decorrente da rapidez e reprodutibilidade na obtenção de respostas biológicas e da maior praticidade de trabalho. Estes sistemas são utilizados eficientemente para estudos biológicos em nível molecular e celular, como:
- Alterações de macromoléculas biologicamente importantes, como as proteínas e o DNA;
- Estudo dos mecanismos e alterações de processos fundamentais para a vida celular como a replicação e o DNA e a biossíntese de proteínas;
- Alterações funcionais de organelas subcelulares;
- Modificações funcionais das próprias células, como a mutagênese e a transformação neoplásica;
- Diferenciação celular;
- Letalidade celular;
- Estudos de rádio e fotoproteção:
- Isolamento e clonagem de genes.
Macrófagos
Distinguem-se pela grande capacidade de pinocitose e fagocitose, podendo ser fixos ou móveis. Atuam como elementos de defesa fagocitando restos de células, bactérias e partículas inertes que penetram no organismo.Todos os macrófagos são dotados de motilidade quando estimulados adequadamente.Quando agrupados em torno de um grande corpo estranho,os macrófagos podem também se fundir para formar células sinciciais gigantes.
Os macrófagos desempenham papel importante na remoção de restos de células e de elementos intercelulares que se formam nos processos involutivos fisiológicos. Por exemplo, durante a gravidez o útero aumenta de tamanho e a sua parede se torna mais espessa; imediatamente após o parto, esse órgão sofre uma involução, havendo destruição de partes dos tecidos, processo do qual participam os macrófagos.
Célula Mesenquimatosa Indiferenciada
Denominação das células com capacidade de originar qualquer outra célula do conjuntivo.
Mastócitos
Os mastócitos ocorrem particularmente no tecido conjuntivo frouxo. Eles estão caracteristicamente situados em torno dos vasos sangüíneos. Os mastócitos contêm três substâncias ativas em seus grânulos: a heparina que é uma substâncias ativas anticoaguladores, e a histamina e a serotonina,que são substâncias com ações no processo inflamatório.
Plasmócitos
Sintetizam os anticorpos circulantes encontrados no sangue e são pouco numerosos no tecido conjuntivo normal,aparecendo em grande quantidade as áreas onde existe inflamação crônica.
Leucócitos
São células freqüentemente encontradas no conjuntivo,vindas do sangue por migração através das paredes dos capilares e vênulas.Esta migração aumenta nos processos inflamatórios.
Célula Adiposa
As células adiposas, ou adipócitos,ocorrem isoladamente ou em grupos nas malhas de muitos tecidos conjuntivos,sendo especialmente numerosas no tecido adiposo. À medida que a gordura se acumula, as células aumentam de tamanho e se tornam globosas, a gordura aparece primeiramente como pequenas gotas que, posteriormente, juntam-se para formar uma só gota. A mobilização da gordura está sob o controle nervoso e hormonal que leva à liberação de ácidos graxos e glicerol, os quais passam para o sangue. A noradrenalina liberada nas terminações pós-ganglionares dos nervos simpáticos do tecido adiposo é particularmente importante a este respeito,quando o organismo está sujeito a atividades físicas intensas,jejum prolongado ou frio.
Acredita-se que os adipócitos evoluam dos fibroblastos, tanto no desenvolvimento normal, como em várias circunstâncias patológicas, como no caso da distrofia muscular, onde ocorre a destruição de células musculares e substituição por tecido conjuntivo adiposo.
São especializadas no armazenamento de gorduras neutras. Estão em contato com a porção profunda da derme, sendo que o seu conjuntivo constitui a hipoderme, e são encontradas sobre a rede de colágeno. Também conhecidas como adipócitos, são agrupados em forma de “cachos de uva”, os lóbulos adiposos, que são separados por paredes de conjuntivos, os septa lobulares. A troca gasosa entre as células adiposas e a corrente sangüínea é intensa, contribuindo para isso a rica vascularização do tecido conjuntivo. Pelas paredes interlobulares conjuntivas passam os vasos sangüíneos e as terminações nervosas.
Sistema Tegumentar
O sistema tegumentar é constituído pela pele e tela subcutânea, juntamente com os anexos cutâneos. O tegumento recobre toda a superfície do corpo e é constituída por uma porção epitelial, a epiderme, e uma porção conjuntiva, a derme. Abaixo e em continuidade com a derme está à hipoderme, tela subcutânea, que embora tenha a mesma origem e morfologia da derme não faz parte da pele, a qual é formada apenas por duas camadas. A hipoderme serve de suporte e união da derme com os órgãos subjacentes, além de permitir à pele uma considerável amplitude de movimento. As funções realizadas pelo sistema tegumentar são: proteção, regulação da temperatura do organismo, excreção, sensibilidade tátil e produção de vitamina D.
Pele
A pele representa 12% do peso seco total do corpo, com peso de aproximadamente 4,5 quilos, e é de longe o maior sistema de órgãos expostos ao meio ambiente. Um pedaço de pele com aproximadamente 3 cm de diâmetro contém: mais de 3 milhões de células, entre 100 e 340 glândulas sudoríparas, 50 terminações nervosas e 90 cm de vasos sangüíneos. Estima-se ainda que existam em torno de 50 receptores por 100 milímetros quadrados, num total de 640.000 receptores sensoriais. O número de fibras sensoriais oriundas da pele que entram na medula espinhal por via de raízes posteriores é superior a meio milhão. Ocorre acentuado declínio no número dessas estruturas ao longo da vida.
A pele é composta de duas camadas principais: 1) a epiderme, camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas e 2) a derme, camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular. Apresenta múltiplas funções, entre as quais a proteção contra agentes físicos, químicos e biológicos do ambiente, e ser relativamente impermeável, graças à camada de queratina (córnea) que recobre a epiderme. O limite entre a epiderme e a derme não é regular, mas caracteriza-se pela presença de Saliências e reentrâncias das duas camadas que se embricam e se ajustam entre si, formando as papilas dérmicas.
A superfície da pele está coberta por uma delgada película líquida que tende para a acidez Oferece uma grande superfície de dispersão calórica e de evaporação e, por isso, desempenha importante papel na termorregulação por meio de seus vasos e glândulas. O fluxo sangüíneo pode ter uma grande variação. Sob condições normais, o fluxo sangüíneo cutâneo é de aproximadamente 400milímetros (mL) por minuto. Entretanto, em condições extremas, mais de 2500 mL de sangue podem circular pelos vasos da pele por minuto. Funciona também como um vasto emunctório e como fábrica de vitamina D e melanina, que tem função protetora contra os raios ultravioletas.
A cor da pele é determinada pela presença de alguns pigmentos, dos quais o mais importante é a melanina, pigmento escuro produzido pelos melanócitos, que migram na epiderme e transferem o pigmento às células da camada germinativa. O outro pigmento, o caroteno ou pró-vitamina A, é encontrado em grande quantidade na cenoura. Não há grande diferença no número de melanócitos encontrados na pele das várias raças humanas. As diferenças da cor da pele são devidas principalmente à quantidade de melanina produzida pelas células e sua distribuição. Os indivíduos de pele escura têm apreciável quantidade de melanina em todas as camadas da epiderme. O acúmulo de melanina escurece a pele filtrando os raios ultravioletas. O escurecimento da pele por exposição à luz solar ocorre inicialmente devido a um fenômeno biofísico que leva a um escurecimento rápido de parte da melanina preexistente; numa segunda etapa, pela aceleração dos processos de biossíntese da melanina. Hormônios do córtex adrenal agem sobre os melanócitos e certas patologias dessa glândula promovem uma mudança na cor da pele. É possível mudar artificialmente a cor da pele. Substâncias semelhantes ao mercúrio amoniacal, a hidroquinona e derivados atuam inibindo a síntese de melanina, com conseqüente despigmentação. Outras substâncias semelhantes a diidroxiacetona, quando aplicadas na pele, reagem com as proteínas da camada de queratina, tornando-a escura. Além da concentração de melanina, a coloração da pele depende também da sua espessura e do grau de irrigação sangüínea.
A aparência da pele depende de uma série de fatores: idade, sexo, clima, alimentação e estado de saúde do indivíduo. A classificação em pele seca, gordurosa, mista e outras se fazem de acordo com o tipo e a quantidade de secreções encontradas em sua superfície. Dá-se o nome de endérmica à pele cuja superfície se apresenta fina, lisa, flexível, lubrificada e suficientemente umedecida, devido ao equilíbrio de suas secreções. É encontrada principalmente nas crianças. Já a pele com predomínio de secreções gordurosas apresenta um aspecto de untuosidade e brilho característicos, a chamada pele gordurosa. A pele seca existe quando há acentuada insuficiência de secreção sebácea. Às vezes, a pele torna-se seca em virtude de mudanças qualitativas da secreção gordurosa, com concentração alterada de lipídios hidrófilos. Ao invés de ser lisa e lustrosa, a pele torna-se opaca, áspera e com fina descamação, comum em ruivos e indivíduos nórdicos. Pele desidratada é outro tipo de pele seca. Caso a secreção sebácea seja adequada, a secura da pele se deve a um grau de embebimento aquoso inferior ao normal. Quando há um aumento relativo do embebimento aquoso, tem-se a pele hidratada. Em situações patológicas como o hipertiroidismo, o hiperfuncionamento das supra-renais, geralmente ocorrem estados de hidratação excessiva da pele. A coexistência de seborréia na parte central do rosto (testa, nariz e queixo), e de secura nas laterais, dá origem à chamada pele mista.
A pele constitui o mais extenso órgão sensorial do corpo, para recepção de estímulos táteis, térmicos e dolorosos. O seu teor de água é de cerca de 70% do peso da pele livre de tecido adiposo, contendo perto de 20% do conteúdo total de água do organismo. Sua espessura situa-se entre 0,5 e 4 milímetros. A pele, portanto, é o mais sensível de nossos órgãos, nosso primeiro meio de comunicação e nosso mais eficiente protetor, sendo aí localizada nossa primeira e última linha de defesa. Portanto, são muitas as funções da pele:
- Base dos receptores sensoriais, localização do sentido do tato;
- Fonte organizadora e processadora de informações;
- Mediadora de sensações;
- Barreira entre o organismo e o meio ambiente
- Fonte imunológica de hormônios para diferenciação de células protetoras;
- Proteção contra materiais tóxicos e organismos estranhos;
- Regulação da pressão e do fluxo sangüíneo e linfático;
- Regulação da temperatura;
- Metabolismo e armazenamento de gordura;
- Reservatório de alimento e água;
- Importante na respiração;
- Sintetiza compostos importantes como a vitamina D;
- Barreira contra microrganismos.
O músculo liso ou involuntário da pele ocorre sob a forma de eretores dos pêlos, da túnica de dartos da genitália externa, e na aréola dos mamilos. As fibras musculares dos eretores dos pêlos originam-se no tecido conjuntivo na derme superior e estão inseridas no folículo piloso abaixo das glândulas sebáceas. Quando as fibras musculares se contraem, elas tracionam o folículo piloso para uma posição vertical. Já o músculo estriado ou voluntário é encontrado na pele do pescoço (platisma) e na pele da face (músculo da expressão). Os feixes de músculo estriado originam-se de um periósteo ou de uma fáscia, ou formam um anel fechado, como no orbicular dos lábios.
Epiderme
É constituída essencialmente por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. A porção mais profunda da epiderme é constituída de células epiteliais que se proliferam continuamente para que seja mantido o seu número. Tipicamente em todos os epitélios, não há vasos sangüíneos na epiderme, embora a derme subjacente seja bem vascularizada. Como resultado, o único meio pelo qual a célula da epiderme pode obter alimento é através da difusão dos leitos capilares da derme. Esse método é suficiente para as células mais próximas da derme, mas á medida que as células se dividem e são empurradas para a superfície, ficando assim longe da fonte de alimento (derme), morrem. Seu citoplasma é gradualmente substituído por queratina, formando assim a estrutura típica das camadas mais externas da epiderme. A espessura da epiderme geralmente é muito delgada, menos de 0,12 milímetros, na maior parte do corpo, mas particularmente espessa e altamente diferenciada na palma das mãos e planta dos pés, áreas sujeitas à constante pressão e fricção. A pressão contínua num dado local causa o espessamento da epiderme, com a formação das chamadas calosidades.
A epiderme é em geral descrita como constituída de quatro ou cinco camadas ou estratos, devido ao fato da camada lúcida estar ou não incluída, só sendo observada em determinadas amostras de pele espessa. Podem-se observar a derme para a superfície as seguintes camadas celulares:
Camada Germinativa (Basal)
É a camada mais profunda e assim denominada porque gera novas células e apresenta intensa atividade mitótica. É responsável pela constante renovação da epiderme, fornecendo células para substituir aquelas que são perdidas na camada córnea. Nesse processo as células partem da camada germinativa a vão sendo deslocadas para a periferia até a camada córnea, num período de 21 a 28 dias. A superfície das células desse estrato que se apóiam na membrana basal é irregular.
Camada Espinhosa
As células dessa camada possuem um aspecto espinhoso, responsável pela denominação dessa camada. Suas células têm importante função na manutenção da coesão das células da epiderme e, conseqüentemente, na resistência ao atrito.
Camada Granulosa
O citoplasma das células desta camada caracteriza-se por conter grânulos de querato-hialina que parecem estar associados com o fenômeno de queratinização dos epitélios. À medida que os grânulos aumentam de tamanho, o núcleo se desintegra daí resultando a morte das células mais externas da camada granulosa. Assim, a camada granulosa é formada por células que já estão em franca degeneração, cujos sinais são os grânulos de queratina ou de melanina que estão no seu citoplasma. O núcleo das células já apresenta sinais de atrofia e os filamentos que as uniam à camada espinhosa quase desaparecem.
Camada Lúcida
É constituída por várias camadas de células, achatadas e intimamente ligadas, das quais a maioria apresenta limites indistintos e perde todas as suas inclusões citoplasmáticas, exceto as fibrilas de queratina e algumas gotículas de eleidina. Esta é transformada em queratina assim que as células desta camada tornam-se parte da camada córnea. A camada lúcida é mais proeminente em áreas de pele espessa e pode estar ausente em outros locais. Não é observada com facilidade. Quando visível, tem o aspecto de uma linha clara, brilhante e homogênea; daí sua denominação.
Camada Córnea
É acamada mais superficial da epiderme. Consiste de vários planos de células mortas e intimamente ligadas. A partir do momento em que seu citoplasma for substituído por uma proteína fibrosa denominada queratina, estas células mortas são referidas como corneificadas.As células corneificadas formam uma cobertura ao redor de toda a superfície do corpo e não só protegem o organismo contra a invasão de vários tipos do meio externo,como também ajudam a restringir a perda de água do organismo.Embora a camada córnea seja de pequena espessura(cerca de 20 mirômetros),sua capacidade de retenção hídrica conserva a superfície da pele macia.
As ceramidas,principais componentes lipídicos intercelulares do extrato córneo.são fatores importantes em sua função de barreira e desempenham um papel fundamental na capacidade retentora da água deste,impedindo que a água passe facilmente através dele.Pequenos metabólitos hidrossolúveis e componentes estruturais protéicos constituem os principais responsáveis pela retenção de água no estrato córneo.
As células mais superficias são continuamente eliminadas como resultado da abrasão, como, por exemplo, pelo atrito com a roupa. Os pequenos escamas que soltam, no entanto, não dão uma aparência descamativa ou áspera à pele, pois elas se misturam a secreção das glândulas sudoríparas e sebáceas. Por outro lado, as células perdidas são constantemente substituídas por substituídas por células provenientes das camadas mais profundas da epiderme. A renovação do estrato córneo ocorre em aproximadamente 14 dias.
Potts realizou um estudo utilizando análise de ondas vibratórias, e sugeriu que o estrato córneo dos idosos, comparado ao de outros grupos etários, é mais seco. A velocidade de atenuação e propagação das vibrações é altamente dependente do conteúdo de água no estrato córneo. Afirma-se que a pele de indivíduos idosos seja seca, aspecto particularmente evidente após 60 anos, devido ao fato de que seu estrato córneo, sendo funcionalmente deficiente, não pode reter água com eficiência. A redução do conteúdo de umidade é mais evidente nas áreas expostas, onde a agressão actínica é o fator predominante de acentuação do envelhecimento.
Derme
É uma espessa de tecido conjuntivo sobre a qual se apóia a epiderme, comunicando esta com a hipoderme. A derme está conectada com a fáscia dos músculos subjacentes por uma camada de tecido conjuntivo frouxo, a hipoderme. Na derme situam-se algumas fibras elásticas e reticulares, bem como muitas fibras colágenas, e ela e suprida por vasos sangüíneos, vasos linfáticos e nervos. Também contém glândulas especializadas e órgãos do sentido. A derme apresenta uma variação considerável de espessura nas diferentes partes do corpo, sendo que a sua espessura média é de aproximadamente 2 milímetros. Sua superfície extrema é extremamente irregular, observando-se papilas dérmicas. A arquitetura dérmica varia na pele normal de região, não existindo uma média de variação entre indivíduos da mesma idade ou diferentes faixa etária. Observa-se na derme a camada papilar, a mais superficial, e a camada reticular, a mais profunda.
Camada Papilar.
É delgada, constituída por tecido conjuntivo frouxo, e assim denominada porque as papilas dérmicas constituem sua parte mais importante (Saliências que acompanham as reentrâncias correspondentes da epiderme). Admitem alguns que a função das papilas é aumentar a zona de contato derme-epiderme, trazendo maior resistência à pele. Esta camada estende-se pouco abaixo as bases da papila, onde se une à camada reticular. Muitas papilas contêm alas capilares; outras contem receptores sensoriais especializados que reagem a estímulos externos, como mudanças de temperatura e pressão.
Camada Reticular
É a mais espessura, constituída por tecido conjuntivo denso, e é assim denominada devido ao fato de que os feixes de fibras colágenas que a compõem entrelaçam-se em um arranjo semelhante a uma rede. Ambas as camadas contêm muitas fibras elásticas, responsáveis, em parte, pelas características de elasticidade da pele. Uma grande diferença entre as duas camadas diz respeito ao seu conteúdo de capilares. A camada papilar apresenta um suprimento sangüíneo bastante rico, onde um grupo de capilares se estende em alças para dentro do tecido conjuntivo (cristas), que se projeta para dentro da epiderme, fornecendo a sua nutrição e atuando na regulação térmica. Outro grupo, que mais se assemelha as vênulas, formando uma camada plana sob as bases da papila.
Na camada reticular os capilares são raros, sendo numerosos apenas em relação aos anexos da epiderme que se projetam em direção à camada reticular.
Existem três tipos de lesões dérmicas importantes que apresentam diferentes alterações nas fibras elásticas e colágenas, na substância fundamental amorfa e nos fibroblastos.
Elasticidade da Pele
Através de sua elasticidade a pele permite os movimentos do corpo; ela está distendida além do seu ponto de equilíbrio elástico, tanto que se retrai quando há solução de continuidade. A tesão da elasticidade varia de direção conforme e região do corpo e isto se deve à variação geral das fibras colágenas e elásticas da derme. A elasticidade da pele pode ser determinada pela orientação das linhas de fenda, ou linhas de Langer. Langer demonstrou que até no cadáver a pele é sujeita a tensões direcionadas de acordo com as linhas. A perfuração da pele provoca a formação não de um orifício circular, mas de uma fenda, cuja direção corresponde à orientação dos feixes conjuntivos elásticos, que indicam, portanto, a direção de menor distensibilidade, ou seja, de resistência da pele á tração.
A junção das inúmeras fendas forma as linhas, por isso chamada linhas de fenda ou clivagem, com as quais é possível esquematizar verdadeiros mapas. Na direção perpendicular à orientação das linhas de fenda a pele apresenta máxima distensibilidade. Em geral, no indivíduo adulto, as linhas de fenda são transversais no tronco e longitudinal nos membros, com modificações nas regiões articulares.
Observa-se que lesões paralelas a estas linhas reparam-se com cicatrizes mínimas; entretanto, o contrário se sucede caso a lesão seja transversal a elas. A direção das linhas de Langer no indivíduo vivo coincide com as solicitações da pele no repouso. Este fato pode ser observado no caso da face flexora do cotovelo, que no repouso é transversal, porém, na hiperextensão da articulação, torna-se longitudinal. Portanto, devido a este fato torna-se importante o repouso na reparação de lesões, evitando-se assim uma cicatrização inadequada. O conhecimento da direção das linhas de fenda, de maneira geral, é de grande interesse cirúrgico, pois auxilia o cirurgião a realizar incisões esteticamente aceitas.
A incisão cirúrgica na pele feita ao longo das linhas de fenda provoca mínima dilaceração do colágeno da derme, sem retração, e a reparação é feita com pequena quantidade de tecido cicatricial. No entanto, uma incisão realizada perpendicularmente às linhas de fenda provoca retração, dilaceração e desarranjo das fileiras de colágeno. Disso resulta uma cicatriz extensa e feia devido à produção exagerada de colágeno.
Anexos da Pele
Na pele são observadas várias estruturas anexas: os pelos, as unhas e as glândulas. Os pelos se originam de uma invaginação da epiderme, o folículo piloso. Visíveis externamente apenas pela sua haste estão distribuídos por quase todo o corpo. Em certas regiões os pêlos apresentam desenvolvimento diferente e desempenham um importante papel de proteção, especialmente quando anexados ás aberturas naturais do corpo. Em certas regiões os pêlos apresentam desenvolvimento diferente e desempenham um importante papel de proteção, especialmente quando anexados às aberturas naturais do corpo. Quando secos, dificultam a dispersão de calor por imobilizarem a camada de ar em contato com a pele de pequena importância no homem, no qual os pêlos do corpo estão dispostos geralmente de maneira esparsa. Embora haja consideráveis variações na cor dos pêlos, somente três pigmentos produzem diferentes cores de pêlo. À medida que as pessoas envelhecem, seus pêlos tendem gradualmente a ficar cinzentos. Este processo deve-se ao decréscimo na quantidade de pigmento presente, possivelmente como resultado de uma queda no nível da enzima específica que é necessária para a produção de melanina. Na falta completa dos pigmentos, os pêlos tornam-se brancos.
Os folículos pilosos exibem atividade cíclica, apresentando períodos de atividade alternados com períodos de inatividade. Os folículos pilosos de diferentes partes do corpo seguem padrões diversos de atividade cíclica. Por exemplo, no couro cabeludo os folículos podem permanecer ativos e causar o alongamento contínuo dos pêlos por muitos anos antes de se tornarem inativos por um período de meses. O corte dos pêlos ou o barbear não afeta a atividade cíclica dos folículos, e por isso não tem efeito no crescimento do pêlo. O que deve ser destacado é que os folículos pilosos estão geralmente dispostos em ângulo oblíquo em relação à superfície da pele, bem como aos próprios pêlos.
As glândulas sebáceas são, com raras exceções, encontradas em todas as regiões do corpo. Em geral estão anexas aos pêlos, mantendo com estes um desenvolvimento inversamente proporcional, sendo mais numerosas, mas de menor volume, nas regiões onde os pêlos são abundantes. Situam-se na derme e sua secreção é uma mistura complexa de lipídios, cuja função é a lubrificação da pele, além da ligeira ação bactericida.
A glândula sudorípara encontra-se em quase todo o corpo. O seu número varia em cada região e diminui com o avanço da idade. São mais numerosos nos indivíduos de raça negra. A estimulação dos nervos simpáticos que se dirigem a essas glândulas força-nas a secretar um fluido de cloreto de sódio, com traços de uréia, sulfatos e fosfatos. A quantidade de suor secretado depende de fatores como a temperatura e a umidade do meio, da quantidade de atividade muscular, além de várias condições que causam fadiga.
Dois folhetos epidérmicos mais externos, a camada córnea e a camada lúcida, são intensamente corneificados, formando as unhas. As unhas são lâminas córneas ligeiramente convexas no sentido longitudinal e fortemente no sentido transversal. Na sua extremidade proximal uma estreita prega da epiderme se estende sobre a superfície livre, formando o eponíquio (cutícula). As unhas geralmente apresentam uma coloração rosada devido à rede capilar que existe abaixo dela e que se torna visível através das células corneificadas. A unha cresce a partir de uma matriz de células situadas junto à sua raiz, na proporção de um milímetro por semana.
Vasos e Nervos
Há dois plexos arteriais que suprem a pele: um que se situa no limite entre a derme e a hipoderme e outro entre a camada papilar e reticular. Deste último plexo partem finos ramos para as papilas dérmicas. Distinguem-se três plexos venosos na pele, dois na posição descrita para as artérias e um na região da derme. O sistema de vasos linfáticos inicia-se nas papilas dérmicas e converge para um plexo entre a camada papilar e reticular, daí partem ramos para outro plexo localizado no limite da derme com a hipoderme.
As sensações cutâneas como tato, dor, calor e frio são captados por vários receptores especializados. Os receptores para dor são as terminações nervosas livres que se distribuem por baixo das células da camada profunda da epiderme. As sensações táteis estão a cargo dos corpúsculos de Paccini, de Meissener e das redes de fibras nervosas que circundam os folículos pilosos; na sensação de frio intervêm os corpúsculos de Krause e, na de calor, os de Ruffini.
Hipoderme (Tela Subcutânea).
Tecido sobre o qual a pele repousa, formado por tecido conjuntivo que varia do tipo frouxo ou adiposo ao denso nas várias localizações e nos diferentes indivíduos. A hipoderme conecta frouxamente a pele e a fáscia dos músculos subjacentes, o que permite aos músculos contraírem-se sem repuxar a pele. A hipoderme (hipo = abaixo de) não faz parte da pele, mas é importante porque fixa a pele às estruturas subjacentes, sendo também conhecida como tela subcutânea, tecido subcutâneo ou fáscia superficial. Dependendo da região em estudo e do grau de nutrição do organismo, a hipoderme pode ter uma camada variável de tecido adiposo, sendo que nele se deposita a maior parte dos lipídios nas pessoas obesas.
Como os mamíferos consomem energia de modo contínuo, mas se alimentam com intermitência, entende-se a importância de um reservatório de energia, representado pelo tecido adiposo. A distribuição da gordura não é uniforme em todas as regiões do corpo. Nos indivíduos normais, algumas regiões nunca acumulam gordura, como a pálpebra, a cicatriz umbilical, a região esternal, o pênis e as dobras articulares. Em outras regiões pelo contrário, há maior acúmulo de tecido adiposo: a porção proximal dos membros, a parede abdominal, especialmente as porções laterais.
Além da função de reservatório energético, o tecido adiposo apresenta outras funções, tais como: 1) isolamento térmico do organismo, por ser mal condutor de calor; 2) modela a superfície corporal, e dependendo do sexo localiza-se em diferentes regiões; 3) os coxis adiposos servem para absorção de choques; 4) tecido de preenchimento e auxiliar na fixação dos órgãos; os rins podem sofrer ptoses nos indivíduos magros ou naqueles que diminuem de peso muito rapidamente, pela falta de gordura perirrenal.
O metabolismo do tecido adiposo é complexo, nele intervindo também o hormônio de crescimento, os glicocorticóides, a insulina e o hormônio tiroidiano.
A tela subcutânea compõe-se em geral de duas camadas, das quais a mais superficial é chamada de areolar, que é composta por adipócitos globulares e volumosas, em disposição vertical, onde os vasos sangüíneos são numerosos e delicados. Abaixo da camada areolar existe uma lâmina fibrosa, de desenvolvimento variável conforme a região, que é a fáscia superficialis ou subcutânea. Esta fáscia separa a camada areolar da camada mais profunda, a camada lamelar, sendo que nesta ocorre aumento de espessura no ganho de peso, com aumento no volume dos adipócitos, que chegam a invadir a fáscia superficialis. Na camada lamelar ocorre a maior mobilização de gorduras quando o indivíduo obeso inicia um programa de redução ponderal.
A proporção dessas camadas varia de acordo com diversos fatores: espessura de pele (na pele espessa a camada areolar é preponderante sobre a lamelar, na pele fina ocorre o inverso), região e segmento corporal, sexo (a mulher tem a camad areolar mais espessa), idade (a camada areolar é mais espessa no adulto).
As mulheres em qualquer faixa etária possuem em média maior quantidade de gordura corporal total que os homens. Como a gordura flutua a mulher ganha, portanto, uma maior elevação hidrodinâmica, fazendo com que estas possam nadar por uma determinada distância com o custo energético 30% mais baixo que o dos homens. Esses benefícios são particularmente notados quando se percorre através da natação distâncias mais longas.
A mobilização dos lipídios acontece com velocidade diferente nas regiões femoral e abdominal. Estes são mobilizados mais lentamente na região femoral, pois os adipócitos desta região são maiores e sofrem a influência dos hormônios sexuais femininos. Estes se caracterizam por serem metabolicamente mais estáveis e resistentes à lipólise. A concentração de tecido adiposo nas regiões gluteofemurais caracteriza a obesidade ginóide, ou do tipo feminino.
Diversos fatores influenciam a lipólise ou lipogênese, como a insulina que estimula a lipogênese. Sua afinidade é aumentada pelo estrógeno e prolactina, sendo diminuída pelo progesterona, testosterona, hormônio luteotrófico e glicorticóides. Uma dieta rica em carboidratos e hipercalórica estimulam a lipogênse por aumentar a ação da enzima lipoproteína-lipase (LPL), assim como a progesterona. O exercício físico diminui a concentração plasmática de insulina.
FONTE: Fisioterapia Dermato-Fucional 3° Edição, Elaine Guirro e Rinaldo Guirro, Editora Manole 2002.
Evandro L S de Araújo
Professor de ensino livre, Terapeuta holístico e Fisioterapeuta.
Postado 15/10/2011


