REFLEXOLOGIA PODAL
O que é Reflexologia?
Ciência que estuda os efeitos reflexos no organismo humano, reflexo: segundo a fisiologia é uma reação motora ou secretora, desencadeada pelo Sistema Nervoso em conseqüência de estímulos capitados por informações sensitivas, e logia vem do grego logos que significa estudo ou conhecimento.
Reflexoterapia
Pratica da técnica da reflexologia como terapia.
Porque precisamos de reflexoterapia?
Porque ficamos doentes ou com distúrbios. A reflexologia baseia-se no principio de que existem áreas, ou pontos reflexos nos pés e nas mãos que correspondem a cada órgão, glândula e estrutura no corpo. Ao trabalhar nesses pontos reflexos, reduzimos a tensão em todo o corpo. A pressão é aplicada nas áreas reflexas com os dedos das mãos ou usando técnicas específicas, provocando mudanças fisiológicas no corpo, na medida em que o próprio potencial de cura do organismo é estimulado. Dessa maneira, os pés podem desempenhar um papel importante para conquistar e manter uma saúde melhor.
Nosso sistema nervoso possui uma rede de fibras nervosas que interligam o Cérebro a praticamente todas as partes do corpo. Estas interagem ao cérebro funções vegetativas, equilíbrio motor e as mais diversas sensações. Nos nossos pés há milhares de terminações nervosas livres que sensibilizam vias que farão sinapse na medula até o cérebro sede do sistema nervoso central. Estas terminações nervosas livres modificam os estímulos de pressão ou tato em impulsos elétricos e estes através das vias aferentes de sensibilidade chegam ao cérebro. Estes impulsos chegam às áreas nobres, onde vão liberar serotonina, noradrenalina, dopamina e acetilcolina, provocando reações adrenérgicas ou colinérgicas interagindo por feedback com o córtex e áreas afetadas.
A reflexologia interage no feedback em busca da homeostasia.
Se em um órgão ou víscera controlado pelo sistema nervoso autônomo apresentar algum distúrbio, um sensor nele se encarregará através de uma via aferente em informar ao sistema nervoso central, que atuará como regulador enviando respostas via efetores para a devida correção do distúrbio.
Acreditamos que estes impulsos ou respostas eferentes provenientes do sistema nervoso central além de percorrerem vários sistemas homeostáticos incluindo o próprio órgão em questão, chegarão também às milhares de terminações livres relacionadas com aquele órgão ora espalhadas na periferia do corpo (ou micro sistemas). Isso explica os excelentes resultados da acupuntura, do shiatsu e massoterapia e da auriculoterapia.
Porém em se tratando da reflexologia podal, os pés é uma parte do corpo onde há uma grande concentração destas terminações nervosas livres bem como outros receptores tão importantes para o equilíbrio do corpo contra a gravidade e espaço. Pode-se imaginar então a quantidade de impulsos que chegam e partem desta periferia do corpo visando o equilíbrio estático, bem como o tônus vaso-motor.
Na teoria da reflexologia podal podemos acrescentar os impulsos reflexos que descem pela medula referente a órgãos ou vísceras ora com distúrbios que estejam em manutenção ou não, uma coisa vai acontecer o ponto no pé referente aquele órgão ou víscera vai se sensibilizar. Isto explica então porque na presença de um distúrbio hepático o ponto do fígado no pé apresenta grande sensibilidade.
Um distúrbio persistente pode ser conseqüência de algum bloqueio nas vias ou mecanismos homeostáticos. Acreditamos que a persistência dos impulsos aferentes da reflexologia via medula chegarão ao sistema regulador percorrendo suas vias eferentes, acelerando ou mesmo desbloqueando naturalmente tais mecanismos.
A História da reflexologia
Não existe prova conclusiva de que a Reflexologia tenha as suas raízes na China antiga, embora alguns afirmem sua origem como oriental, na mesma éépoca da acupuntura.
Conforme o Dr. W. Fitzgerald no seu livro Zone Therapy: “Há cerca de 5000 anos conhecia-se na Índia e na China uma forma de tratamento por meio de pontos de pressão. Esse conhecimento parece ter-se perdido e esquecido: talvez fosse posto de lado em favor da Acupuntura, que surgiu como um rebento mais forte da mesma raiz.”
Ponto de vista também compartilhado pelo Doutor Frans Wagner na sua obra Reflex Zone Massage: “Os antigos chineses criaram a técnica da acupressão, cujas raízes se situam no conhecimento de zonas reflexas e na relação entre estas. Hoje, o ramo mais desenvolvido e, talvez, o mais pujante dessa antiga forma de tratamento, é a Acupuntura. Ao massagear as zonas reflexas do pé estamos massageando tecidos, e trabalhando ao longo dos meridianos de acupuntura”.
Historicamente, os Chineses estavam à frente dos Orientais na compreensão do funcionamento holístico do corpo humano, bem como na relação deste com as situações externas. Os Chineses também se aperceberam da importância dos pés nos tratamentos de doenças. Em 1017 d. C. o Doutor Wang Wei possuía uma figura humana, fundida em bronze, onde estavam marcados os pontos do corpo, importante na Acupuntura. Quando este conhecimento era posto em prática para tratar os enfermos, o executante colocava agulhas nas zonas corporais apropriadas, aplicando depois uma terapia de pressão profunda nas laterais, interiores (mediais) e exteriores (laterais) de ambos os pés. Exercia pressão forte no dedo grande. Usavam-se os pés em conjunto com as agulhas de Acupuntura para canalizar a energia extra através do corpo. O Doutor Wei dizia que os pés eram a nossa zona mais sensível e encerravam importantes áreas ativadoras de energia.
Por conseguinte, poucas dúvidas restam de que existe uma forte ligação entre a Reflexologia e Acupuntura. Baseiam-se, com certeza, em idéias semelhantes. Enquanto a Acupuntura foi ganhando cada vez maior implantação no Oriente, a Reflexologia foi desprezada. Só recentemente voltou a emergir no Ocidente. Apesar da sua popularidade no Oriente, a Acupuntura foi uma arte desconhecida até ser introduzida na medicina Ocidental no ano de 1883, pelo médico Tem Tyne. Até a introdução da Acupuntura no Ocidente, a medicina que aqui se praticava não reconhecia o sistema de energia dos meridianos.
Não foram apenas os Chineses a usar a massagem nos pés como forma de terapêutica alternativa e preventiva da saúde: outras culturas antigas o fizeram, tendo sido descoberta no Egito a documentação mais antiga referente à prática da Reflexologia. Esta, um pictograma, datado de 2500 – 2330 antes de Cristo. Foi descoberta em Saqqara, no túmulo de um médico egípcio, Ankamahor. A cena do Pictograma mostra dois homens de pele escura a “trabalhar” os pés de dois homens de pele mais clara. Ao que parece, o hieróglifo (ideograma figurativo que constitui a notação de certas escritas analíticas) diz: “paciente: não me magoes; Médico: “atuarei de forma a que me louveis”.
A Reflexologia teria permanecido apenas como característica de uma cultura antiga e exótica, e se teria perdido, se não fossem as mentes curiosas dos médicos europeus e americanos nos fins do século XIX e princípios do século XX.
Os alemães começaram no fim da década de 1890 e inícios da década de 1900, a contender a ação reflexa fisiológica. Começaram por examinar o tratamento por meio de massagem, e desenvolveram técnicas que passaram a ser designada por “massagem reflexa”. Em geral, crê-se que o Doutor Alfons Cornelius foi, provavelmente, o primeiro indivíduo a utilizar massagem nas “zonas reflexas”.
A história conta que, em 1893, Cornelius teve uma infecção e recebeu, durante a convalescença, uma massagem diária. Nas termas, ele reparou como eram eficazes as massagens feitas por um determinado profissional. O homem trabalhava mais tempo em áreas que Cornelius achava dolorosas.
Esse conceito inspirou-o e, depois de se auto-examinar, o Doutor Cornelius deu instruções ao massagista para se dedicar apenas às áreas dolorosas. A dor desapareceu rapidamente, e num mês o doente restabeleceu-se por completo, o que o levou a prosseguir no uso da pressão na sua própria prática médica. Publicou então o manuscrito Druckpunkte (pontos de pressão) em 1902.
Todavia, é a um americano, o Dr. William Fitzgerald que se ficou principalmente a dever o estabelecimento das bases da Reflexologia moderna, com a sua “descoberta” das zonas e as suas técnicas designadas por “terapia por zonas”.
Esse médico americano, Dr. William Fitzgerald, licenciado em medicina em 1895 na Universidade de Vermont (EUA), foi quem ocidentalizou a reflexologia. Eunice Inghan, aluna do Dr. William Fitzgerald, aperfeiçoou a técnica da massagem por volta de 1930. Eunice é autora do livro “Histórias que os pés contam”.
Durante a década de 50, a enfermeira alemã Hanne Marquardt, ex-aluna de Eunice, aperfeiçoou os pontos reflexos dos pés. O Médico Walter Froneberg, ex-aluno de Hanne ‘desenvolveu’ a Reflexologia sobre o Sistema Nervoso.
Bibliografia:
DOIGANS, Inge; ELLIS, Susanne, Reflexologia; Editorial Estampa.
LOURENÇO, Osni Tadeu; Reflexoterapia Podal, Sua saúde através dos pés, Editora Ground, SP.
ZONOTERAPIA.
O Dr. William Fitzgerald, considerado o fundador da terapia por zonas, nasceu no ano de 1872, em Cnnecticut, nos EUA. Diplomou-se em medicina na Universidade de Vermont e passou dois anos e meio a trabalhar no Boston City Hospital, exercendo também em hospitais Vienenses e Londrinos. Enquanto trabalhou em Viena, entrou em contato com a obra do Dr. H. Bessler, que investigava, então, a possibilidade de tratar órgãos por meio de pontos de pressão. Fitzgerald reparou que, ao resolver problemas em diferentes pacientes, com uma pequena cirurgia, alguns tinham dores acentuadas, enquanto outro tinha muito pouco. As suas investigações revelavam que os doentes que sofriam poucas dores estavam realmente a provocar em si mesmos um efeito anestésico fazendo pressão em áreas do corpo. Intrigado, continuou a pesquisar tal fenômeno, enquanto trabalhava como diretor médico no Hospital for Diseases of the Ear, Nose and Throat, em Hartford, Connecticut, experimentando muitas das suas teorias nos pacientes. Descobriu que, sendo a pressão aplicada aos dedos, provocava um efeito anestésico na mão, braço e ombro, subindo até aos maxilares, face, orelha e nariz. Utilizou então essa pressão servindo-se de ligaduras de elástico, apertadas na seção média de cada dedo, ou de grampos, que colocava na ponta dos dedos. Era capaz de praticar pequenas cirurgias apenas com o auxílio dessa técnica de pressão. E, ao exercer essa pressão numa determinada zona do corpo, aprendeu a calcular quais as outras partes corporais que seriam afetadas.
Desenvolvendo este seu trabalho, sistematizou o corpo em zonas: estabeleceram dez zonas iguais e longitudinais que percorreriam o corpo, desde o alto da cabeça as pontas dos dedos dos pés. O número dez corresponde ao número de dedos das mãos e dos pés. Cada dedo da mão e do pé ficou abrangido por uma zona. Para chegar ao conceito de divisões zonais, imaginem uma linha que passe pelo centro do corpo, havendo cinco zonas de cada lado dessa linha. O polegar e o dedo grande do pé caem na zona um, enquanto, por exemplo, o dedo mindinho e o dedo menor do pé caem na zona cinco. As zonas têm todas as mesmas larguras e estendem-se através do corpo de frente para trás. A teoria é a seguinte: partes do corpo abrangidas por uma zona estarão ligadas umas as outras pelo fluxo energético existente nessa zona e podem, por conseguinte, afetar-se entre si.
Fitzgerald e o seu colega, Dr. Edwin Bowers, ficaram tão entusiasmados com as suas descobertas que inventaram um método singular de convencer os seus confrades da validade da teoria. Faziam pressão na mão de um indivíduo céptico, e, depois, espetavam um alfinete na zona facial anestesiada pela pressão. Era uma forma bastante radical de validar uma teoria, mas dava resultado. Em 1915, Bowers o artigo que, pela primeira vez, explicou publicamente o tratamento em causa, e que os seus autores tinham designado por “terapias por zonas”. O artigo apareceu na Everybodys Magazine e intitulava-se “Para acabar com essa dor de dentes aperte o seu dedo do pé”!
Em 1917, o trabalho conjunto do Dr. Fitzgerald e do Dr. Bowers foi publicado no livro Zone Therapy. Na primeira edição havia diagramas das zonas dos pés e da correspondente divisão das zonas do corpo. Mas Fitzgerald não prestou qualquer atenção especial às áreas reflexas, hoje tão cruciais na reflexologia moderna.
Segundo o Dr. Fitzgerald a zonoterapia servia para efeitos analgésicos. Demonstrou dez zonas longitudinais que se estendiam desde os dedos até a cabeça. Cada zona corresponde a um dedo específico. O polegar e o hálux (dedão) pertencem “a zona 1, e assim até o mindinho a zona 5. E quanto às zonas transversais, foi identificada pela terapeuta alemã Hanne Marquardt, conforme a gravura abaixo”.
A classe médica daquele tempo não acolheu entusiasticamente as teorias de Fitzgerald, mas houve um clínico que acreditou no seu trabalho, o Dr. Joseph Riley. Fato este bastante audacioso, já que a assistente de investigação de Riley viria a ser Eunice Ingham, que estava destinada a dar a contribuição mais importante a reflexologia dos nossos tempos.
Eunice Ingham (1879-1974) deveria ser referida como a mãe da Reflexologia Moderna, já que foi em conseqüência da sua pesquisa e dedicação infatigáveis que a reflexologia acabou por ser reconhecida. Eunice Ingham separou o trabalho sobre os reflexos dos pés da terapia por zonas em geral. Tinha utilizado a terapia por zonas na sua prática, mas convenceu-se de que os pés deveriam ser alvos específicos da terapia, devido à sua natureza muitíssimo sensível. Mapeou os pés em relação às zonas e seus efeitos no resto do organismo, até, finalmente, ter obtido um “mapa” de todo o corpo nos próprios pés. Tanto sucesso teve a sua descobertas, e tão eficazes se mostraram os seus tratamentos que, em breve, a sua reputação se espalhou. Eunice Ingham transmitiu o seu trabalho ao público e à comunidade em geral, não constituída por médicos, quando se apercebeu de que os leigos podiam aprender as técnicas adequadas de reflexologia para se tratarem, assim como as famílias e aos amigos. Pediram-lhe para falar em convenções, e para partilhar os seus conhecimentos com quiropodistas, massagistas e fisioterapeutas, naturopatas e osteopatas. Durante mais de trinta anos, Eunice Ingham percorreu a América, ensinando o seu método por meio de livros, mapas e seminários a milhares de pessoas, pertencentes, ou não, à área da medicina. Os seus dois volumes Stories The Feet Can Tell (1938) e Stories The Feet Have Told (1951) foram, talvez, as primeiras obras escritas sobre o assunto. Hoje, o seu legado prossegue sob a direção do sobrinho, Dwight Byers, que dirige o Instituto Internacional de Reflexologia de São Petersburgo.
A terapia por zonas é, sem dúvida, a base da reflexologia moderna, e a maior parte dos reflexologistas emprega-a como um acessório útil da reflexologia. Mas, no entanto, o trabalho baseado na ação do SN, constitui de fato, o elo vital entre os pés e resto do corpo.
Bibliografia:
DOIGANS, Inge; ELLIS, Susanne, Reflexologia; Editorial Estampa.
LOURENÇO, Osni Tadeu; Reflexoterapia Podal, Sua saúde através dos pés, Editora Ground, SP.
Evandro L S de Araújo
Professor de ensino livre, Terapeuta holístico e Fisioterapeuta.
Postado 15/10/2011


