Massagem terapêutica

MASSAGEM TERAPÊUTICA

 

A HISTÓRIA DA MASSAGEM

A massagem tem uma longa história permeada de uma vasta literatura. Alguns dos fatos históricos são amplamente difundidos, e a necessidade de repeti-los quase que poderia ser contestada. Ainda assim, a história da massagem continua sendo um tema importante tanto para estudantes como para profissionais e, portanto, merece uma menção em qualquer livro sobre massoterapia.

A prática da massagem vem desde os tempos pré-históricos, com origem na Índia, China, Japão, Grécia e Roma. A massagem tem sido citada na literatura desde tempos remotos, sendo a referência mais antiga a que aparece no Nei Ching, um texto médico chinês escrito num período anterior a 2500 a C. escritos posteriores sobre a massagem foram desenvolvidos por eruditos e médicos, como Hipócrates no século V a.C. e Avicena e Ambrose Pare nos séculos X e XVI (para alguns autores seria o século XVII) d.C., respectivamente. Um livro muito famoso sobre massagem, The Book of Cong-Fou, foi traduzido por dois missionários, Hue e Amiot, criando um grande interesse e influenciando o pensamento de muitos profissionais da massagem.

A palavra terapêutica é definida como “de, ou relacionado ao tratamento ou cura de um distúrbio ou doença”. Ela vem do grego therapeutikos e relaciona-se ao efeito do tratamento médico (therapeia). A palavra massagem também vem do grego masso, que significa “amassar”. Hipocrátes (480a.C.) usou o termo anatrípsis, que significa “friccionar pressionando o tecido”, e este foi traduzido, posteriormente, para a palavra latina frictio, que significa “fricção” ou “esfregação”. Este termo prevaleceu por um longo tempo e ainda era usado nos Estados Unidos até 1870. A expressão para massagem na Índia era shampooing; na China a massagem era conhecida como Cong-Fou e, no Japão, como Ambouk. A história da massagem em geral é registrada cronologicamente, mas, em vez de seguirmos esse rumo, é interessante considerar algumas de suas aplicações históricas como um recurso terapêutico.

 

Relaxamento.

O relaxamento, que em si mesmo possui um valor terapêutico, talvez seja o efeito mais livremente associado com a massagem. Já em 1800 a.C., os hindus usavam a massagem para redução de peso, indução do sono, combate à fadiga e relaxamento. Ao longo dos séculos, a capacidade de relaxamento da massagem tem sido usada para tratar muitas condições, como histeria e neurastenia (uma forma de síndrome pós-viral).

Saúde geral.

A massagem combinada com exercícios, sempre foi preconizada como um cuidado com a saúde geral. Descobertas arquiológicas indicam que o homem pré-histórico usava linimentos e ervas para promover o bem–estar geral e adquirir uma proteção contra lesões e infecções. As poções friccionadas no corpo também teriam um efeito curativo, especialmente se a “esfregação” fosse realizada por um “curandeiro” religioso ou médico. Na arte indiana da medicina Ayurveda, esperava-se que o paciente passasse por um processo de shampooing, ou massagem, todas as manhãs, após o banho. As propriedades de promoção da massagem, dos exercícios e da hidroterapia foram mencionados nos escritos do médico e filósofo árabe Ali Abu Ibn Szinna (Avicena) no século X d.C.

Os exercícios físicos, ou “ginásticos”, foram novamente incorporados aos recursos de cuidados da saúde no século XVIII e começo do século XIX. Francis Fuller, na Inglaterra, e Joseph-Clement Tissot, na França, defendiam um sistema integrado de exercícios e movimentos para preservação e restauração da saúde. Fuller faleceu em 1706, mas seu trabalho sobre ginástica ainda foi impresso até 1771.Um sistema similar de ginástica médica foi criado por Tissot, que usava poucos movimentos de massagem, com exceção de alguns movimentos de fricção, e um livro com o seu trabalho foi publicado em 1780 (Licht, 1964). Esses dois pioneiros antecederam o médico sueco Per Henrik Ling, e muito provavelmente influenciaram suas idéias sobre a ginástica.

Per Henrik Ling (1778-1839) desenvolveu a ciência da “ginástica”, forma de tratamento que combinava massagem e exercícios. O componente de massagem como forma de terapia não foi particularmente salientado por Ling, já que era apenas uma parte do tratamento geral e ele dava maior importância aos exercícios realizados pelo paciente e pelo “ginasta” (o profissional da massagem). O sistema de tratamento de Ling ficou conhecido como o Movimento Sueco, ou Movimento da Cura. Muitos anos após sua morte, a massagem foi retirada das rotinas de tratamento e praticada isoladamente como massagem sueca. Da mesma forma, ocorreram mudanças nos objetivos do tratamento. Ling também havia defendido o Movimento Sueco para melhorar a higiene e evitar doenças, mas, no final do século XIX, os médicos interessavam-se pelo método de Ling apenas como um tratamento para doenças. O sistema de massagem de Ling foi introduzido na Inglaterra em 1840, logo após sua morte.

Em 1850, o Dr. Mathias Roth escreveu o primeiro livro em inglês sobre os movimentos suecos. Ele também traduziu um ensaio escrito por Ling sobre as técnicas e seus efeitos. Entre 1860 e 1890, o Dr. George H. Taylor, de Nova York, publicou muitos artigos sobre a Cura pelo Movimento sueco, que aprendera com Per Henrik Ling. Seu irmão, Charles Fayette Taylor, também era um escritor ardente sobre o tema. Nos últimos anos do século XIX, quando a massagem era amplamente usada, afirmava-se que a Cura pelo Movimento Sueco tinha muitos efeitos positivos sobre a saúde geral e no tratamento de doenças. Tais afirmações eram descritas e apoiadas por estudos de casos nos escritos de George Taylor. Algumas dessas afirmações, são válidas até hoje.

Circulação Sangüínea.

Ocorria uma melhora na circulação sangüínea após a ginástica e a aplicação da massagem; dizia-se que esse benefício era tanto sistêmico quanto restrito a uma região. Com aumento da circulação sangüínea, os tecidos eram nutridos e a secreção das glândulas intensificada. O retorno venoso também era melhorado, reduzindo assim a congestão.

Respiração.

A expansão do tórax aumentava consideravelmente como resultado do exercício e da massagem. A respiração melhorava como conseqüência dessa mudança, o que garantia a prevenção contra doenças como a tísica (tuberculose). Além disso, uma melhora na respiração tornava a eliminação de toxinas mais eficiente e, assim, o nível de fadiga era reduzido e a condição geral do corpo melhorava. Deformidades da caixa torácica também eram corrigidas com o sistema de exercícios e massagem.

Órgãos Digestivos.

As doenças dos órgãos digestivos podiam ser tratadas com exercícios apropriados, junto com mudanças necessárias na dieta e com a higiene correta. A melhora no fluxo sangüíneo para a pele e para as extremidades ajudava a reduzir a congestão, e movimentos apropriados e massagem eram usados para estimular a eliminação de fezes e gases.

Capacidade e Função das Articulações.

As declarações sobre os efeitos da massagem já eram proferidas por médicos como Heródicos (século V a.C.), que afirmavam ter grande sucesso no prolongamento do tempo de vida com uma combinação de massagem, ervas e óleos. Um de seus alunos, Hipócrates (o Pai da Medicina, que viveu por volta de 480 a.C.), seguiu seus passos e afirmou que podia melhorar a função das articulações e aumentar o tônus muscular com o uso da massagem. Ele também aconselhou que os movimentos de massagem fossem executados na direção do coração e não dos pés. Esta deve ter sido uma declaração intuitiva ou um mero palpite, já que na época não havia nenhum conhecimento sobre o sistema circulatório.

Durante a Renascença (1450-1600), a massagem foi muito popular junto à realeza. Na França, por exemplo, o médico Ambroise Pare (1517-1590) era procurado pelos membros da família real por seus tratamentos com massagem.

Seu principal interesse era o uso da massagem, e especialmente dos movimentos de fricção, no tratamento do deslocamento de articulações.

John Grosvenor (1742-1823), cirurgião inglês e professor de medicina em Oxford, mostraram-se extremamente entusiasmado com os resultados que estavam sendo conseguidos com a massagem e assumiu o trabalho de Ling e de seus contemporâneos, Dr. Johann Mezger, de Amsterdã. Grosvenor demonstrou os benefícios da massagem no alívio de articulações enrijecidas, gota e reumatismo. Entretanto, ele não incluía os exercícios como parte de seu tratamento porque estava mais interessado na cura de tecidos e articulações pela ação da fricção ou esfregamento. Ele afirmava que, em muitas doenças, esta técnica abolia a necessidade de realizar cirurgias. William Cleobury, membro do Royal College of Surgeons, também usava a massagem para tratamento das articulações. Ele seguia a prática do Dr. Grosvenor e usava fricção e esfregamento para tratar as limitações articulares e os fluidos nos joelhos.

Em New York, Charles Fayette Taylor (1826-1899) publicou muitos livros sobre o Movimento Sueco na década de 1860. Charles Taylor estudara o Movimento Sueco em Londres, sob a orientação do Dr. Mathias Roth – um importante ortopedista homeopata que acreditava muito no sistema de tratamento de Ling – e embora tivesse voltado a New York depois de apenas seis meses, estava muito comprometido com o sistema do Movimento Sueco. Seu irmão, George Taylor, também se dispunha a  mostrar os efeitos do sistema para tratamento de alterações nas curvaturas da coluna e oferecia amostras de estudos de casos em seus escritos.

Reumatismo.

Em 1816, o Dr. Balfour tratou o reumatismo com sucesso, aplicando percussão, fricção e compressão. Entretanto, o pleno reconhecimento da massagem no tratamento do reumatismo só veio muito tempo depois, no mesmo século. Como vários outros membros da realeza, a rainha Vitória beneficiou-se bastante da Cura pelo movimento Sueco e, conseqüentemente, melhorou em muito a reputação da massagem no final da década de 1880. Ling fundara o Instituto Central de Ginástica de Berlim em 1813 e apontara Lars Gabriel Branting como seu sucessor. Uma das alunas de Branting, lady John Manners, duquesa de Rutland, conseguiu que Branting tratasse as dores reumáticas da rainha Vitória, e o sucesso amplamente divulgado do tratamento de Branting com a “ginástica” criou uma nova demanda da Cura pela Massagem Sueca.

Cãibra do Escritor.

Na década de 1880, um calígrafo de Frankfurt-am-Main, na Alemanha, adquiriu fama como massagista. Julius Wolff torna-se conhecido nos círculos médicos por seu tratamento da forma espasmódica da cãibra do escritor, por meio de ginástica, exercícios caligráficos e massagem. Ele declarava uma taxa de sucesso de 75%, e sua reputação e seu trabalho chegaram até a França e a Inglaterra. O tratamento foi observado e aprovado pelo Dr. De Watteville (de Watteville, 1885), médico encarregado do Departamento Eletroterapêutico do St. Mary’s Hospital, em Londres.

Paralisia.

Tibério (42 a.C. – 37 d. C.), um médico romano, fez importantes declarações em favor da massagem, afirmando que ela curava paralisia. Muito depois, no começo do século XIX, o médico norte-americano Cornelius E. de Puy (Massage Therapy Journal, 1991) usou técnicas de massagem para tratar paralisia e apoplexia. De Puy foi membro fundador da Physico-Medical Society de New York, e durante sua curta vida (morreu em naufrágio aos 29 anos) publicou três artigos para o Society sobre a aplicação da massagem na medicina. Um deles, escrito em 1817, era sobre a eficácia da massagem por fricção no tratamento da paralisia e da apoplexia (ele também praticava sangrias e mudanças dietéticas como parte do tratamento). Em seus escritos, que precederam aqueles de Per Henrik Ling (publicados ns década de 1840 a 1850), ele ainda mencionou o uso de dispositivos ou implementos de massagem como escovas e flanelas úmidas. Alguns anos depois, em 1860, os benefícios da cura pelo Movimento para a paralisia foram descritos e ilustrados com um estudo de caso, por George H. Taylor (Taylor, 1860). Em 1886 William Murrell também afirmou que a massagem era um instrumento importante da paralisia infantil.

Parto. 

Em muitas civilizações primitivas, era costume o uso de manipulação externa para auxiliar no parto. Essa tradição vem dos hebreus antigos, passando por Roma, Grécia, costa da América do Sul, África e Índia. Em muitos lugares o costume ainda está em uso. A compressão do abdome é realizada com finalidade de aumentar a atividade muscular e de aplicar uma força mecânica sobre o útero. A manipulação externa pode ser de extrema importância na prevenção ou na redução de hemorragias em um útero relaxado e em expansão; ela também é usada para comprimir a placenta (método de Crede) e, ás vezes, para corrigir um mau posicionamento da criança dentro do útero. A compressão do abdome e do útero pode ser feita de diferentes maneiras. É comum a aplicação de uma simples pressão com as mãos sobre o abdome, e também o uso de meios auxiliares, como faixas ou cintos enrolados em torno do abdome. Pedras, e até mesmo pressão com os pés, também são usadas sobre o abdome enquanto a paciente está deitada em decúbito dorsal. A posição da parturiente varia; ela pode sentar-se no colo do auxiliar, ajoelhar-se, ficar de cócoras, suspensa pelos braços, em repouso sobre uma estaca horizontal (apoio) ou de bruços.

Um auxílio significativo no parto também tem sido oferecido pela massagem entre os índios norte-americanos e os nativos do México, por exemplo. Seu efeito é ajudar na expulsão da criança e da placenta e evitar hemorragias. A técnica mais usada é uma ação de amassamento sobre o abdome, com uso ocasional de óleos e calor. Nos países árabes mais antigos, médicos como Rhazes defendiam uma firme fricção do abdome durante o parto. Essa prática ainda é usada em alguns locais.

Os obstetras japoneses supostamente corrigiam posições inadequadas das crianças, nos últimos meses da gravidez, pelo uso da compressão. No Sião, no século XVII, a massagem no parto era usada principalmente para reduzir a dor. Os movimentos efetuados então eram fricções leves, toque, pressão delicada, dedilhamento e fricção com a ponta dos dedos. A combinação de compressão e massagem vigorosa, praticada mais tarde no Sião, foi descrita por Samuel R House no período Archives of Medicine (1879). Outro método de massagem consiste em “descascar” o abdome. Para isso, a parturiente é suspensa por faixas sob os braços, e um auxiliar, ajoelhado atrás dela, aplica um movimento profundo do tipo deslizamento, ou “descascamento”, no abdome. Esse método também tem sido usado entre os tártaros, entre os índios coyotero-apaches e até mesmo no Sião, conforme relatos do Dr. Reed, um cirurgião norte-americano (citado por Engelmann, 1882; reproduzido em 1994).

Tratamento de Lesões.

Os gregos começaram a usar a massagem por volta de 300aC., associando-a com exercícios para a boa forma física. Os gladiadores recebiam massagens regulares para o alívio da dor e da fadiga muscular. Diz-se que Júlio César costumava ter todo o corpo beliscado e friccionado com óleos.

Na Grã-Bretanha, a massagem era usada pelos membros da Incorporated Society of Massage para o tratamento de soldados feridos na Guerra dos Bôeres (século XIX). O Almeric Paget Massage Corps ( que posteriormente se tornou o Military Massage Service) foi estabelecido em 1914 para ajudar a tratar os feridos da Primeira Guerra Mundial, e este serviço estendeu-se para cerca de trezentos hospitais na Grã-Bretanha. Ele foi novamente oferecido na Segunda guerra Mundial.

Os benefícios da massagem no tratamento de ferimentos da guerra foram salientados em um livro escrito por James Mennell em 1920. Mennell era o oficial médico encarregado do departamento de Massgem no Special Military Surgery Hospital, em Londres. Trabalhava sob a orientação de Sir Robert Jones, diretor do mesmo hospital. Na apresentação do livro, Sir Robert afirma, sobre a massagem:

Como um complemento ao tratamento cirúrgico, à massagem pode ser empregado para aliviar a dor, reduzindo o edema, auxiliar a circulação e promover a nutrição dos tecidos.

O termo que ele usou para a prática da massagem foi “físico-terapêutica”, e definiu seu efeito como “a restauração da função; o que também inclui o uso da mobilização (passiva e ativa) para completar o tratamento”.

O uso de aparelhos para massagem.

Em 1864, o Dr. George Taylor fundou a primeira escola norte-americana para ensinar o método de Ling. Como, à época, estivesse incapacitado para ensinar ou tratar pacientes, em razão de uma fratura no cotovelo, Taylor inventou uma aparelhagem para executar a massagem e os exercícios. Esses dispositivos auxiliares podiam ser aplicados com a mesma eficiência que as técnicas manuais e, em alguns casos, serviam até mesmo como auxiliares para o terapeuta. Outro graduado do instituto de Ling na Suécia teve uma idéia similar. Em 1865 Jonas Gustaf Zander criou, em Estocolmo, um sistema mecânico para a realização das mesmas séries de exercícios e movimentos de massagem. Uma dessas máquinas era o aparelho vibrador. Alguém já havia sugerido, anteriormente, que apenas Ling e seus alunos poderiam dominar a arte da vibração. Além disso, a ginástica, em especial os movimentos de vibração, conseguia os efeitos desejados apenas quando realizada em determinada freqüência e intensidade. O aparelho fora criado para executar a mesma qualidade de movimentos – era, portanto, um substituto eficaz. A possibilidade de escolha de aplicação significativa que o corpo inteiro ou apenas certas regiões podiam ser tratado, e isso supostamente proporcionavam os mesmos benefícios que a vibração manual. A circulação podia ser melhorada e, assim, a nutrição dos tecidos. O aparelho também podia melhorar o tônus muscular, inclusive dos músculos involuntários cardíaco, do estômago e dos intestinos. Os vasos sangüíneos eram afetados de modo semelhante, em decorrência da contração e da dilatação que resultavam em melhor circulação, particularmente nas extremidades. Outros usos para o aparelho incluíam acalmar os nervos, melhorar a digestão e a função dos órgãos respiratórios, bem como aliviar a dor.

Massagem Hoje.

A massagem contemporânea deve seu progresso não necessariamente aos pioneiros, mas a um grande número de profissionais que a utilizam em clínicas, domicílios, hospitais e cirurgias. Por sua eficácia, a massagem garantiu uma firme posição entre outras terapias complementares. Sendo tanto uma arte quanto uma ciência, sua evolução continuará enquanto continuar sendo explorada e pesquisada por estudantes e profissionais.

 

FONTE: Cassar, MP – Manual de massagem terapêutica, 2001 – Fonte: dicaquente.com.br

 

 

MASSGEM CLÁSSICA

A massagem pode ser definida como uma compressão metódica e rítmica do corpo, ou parte dele, para que se obtenham efeitos terapêuticos.

O homem utiliza a massagem como recurso terapêutico desde os tempos pré-históricos. A utilização da massagem na prática médica foi descrita por Homero em 1200 a.C. e por Hipócrates 460 a.C. Era usada nos banhos pelos gregos e romanos para assegurar saúde e beleza.

Em tempos mais recentes foi desenvolvida e elaborada em alto grau por Ling da Suécia e Mezger da Holanada. Posteriormente, seus defensores foram Weir Mitchell e Kellogg nos Estados Unidos, e Cyriax e Mennel na Inglaterra.

A massagem terapêutica pode ser definida como o uso de diversas técnicas manuais que objetivam promover o alívio do estresse ocasionando relaxamento, mobilizar estruturas variadas, aliviarem a dor e diminuir o edema, prevenir deformidades e promover a independência funcional em um indivíduo que tenha um problema de saúde específico.

A massagem na atualidade não é mais considerada como empírica e sim como ciência, uma vez que muitos efeitos relacionados a este recurso foram estudados.

Existem diversos tipos de massagem derivadas de diversas técnicas e propostas por diversos autores, porém todos são derivadas de movimentos primários que fazem parte da técnica denominada de massagem clássica.Os movimentos básicos da massagem clássica são derivados principalmente de termos franceses: deslizamento ou alisamento, superficial ou profundo (effleurage), amassamento (petrissage), percussão (tapotment). Existem ainda outros movimentos conhecidos como fricção e a vibração, ou ainda movimentos associados como, por exemplo, o rolamento, que associa o deslizamento e o amassamento.

 

Condições para e realização de uma terapia eficiente:

A realização de uma terapia por massagem eficiente envolve diversas condições básicas como:

- conhecimento de anatomia, histologia e fisiologia da pele;

- conhecimento profundo das manobras a serem executadas, suas indicações e contra-indicações, direção, pressão, velocidade, ritmo, freqüência e duração das sessões;

- conhecimento da patologia a ser tratada, possibilidade de utilização de lubrificantes;

- posicionamento adequado do paciente e do terapeuta;

- duração de tratamento deverá ser estipulada levando-se em conta a patologia envolvida, a técnica a ser utilizada, o tamanho da área e a tolerância do indivíduo a ser manipulado;

- a freqüência do tratamento variará de acordo com a técnica; entretanto, a redução desta deve ser considerada de acordo com a melhora do quadro;

- avaliação dos sinais e sintomas pós-tratamento.

 

Os efeitos Fisiológicos da Massagem

A massagem exerce efeito mecânico local decorrente da ação direta da pressão exercida no segmento massageado, e também uma ação reflexa, indireta, por liberação local de substâncias vasoativas.

Resumidamente as diversas técnicas de massagem podem promover:

- relaxamento muscular local e geral;

- alívio da dor

- aumento da circulação sangüínea e linfática;

- aumento da perspiração;

- aumento da nutrição tecidual;

- aumento da secreção sebácea;

- remoção de produtos catabólitos;

- aumento da maleabilidade e extensibilidade tecidual;

- aumento de mobilidade articular;

- deslocamento, direcionamento e remoção de secreções pulmonares;

- estímulo de funções viscerais;

- estímulo de funções autonômicas;

- auxílio na penetração de fármacos.

 

Os efeitos da massagem clássica podem ser divididos em: circulatórios, neuromusculares, metabólicos e reflexos.

 

Os efeitos Circulatórios

Na circulação sangüínea localizada há o deslocamento intermitente do líquido nos vasos, aumento da velocidade do fluxo e da troca de substâncias com as células tissulares. Como efeito secundário, há aumento da irrigação sangüínea periférica, da concentração de eritrócitos e da excreção renal da água. Devido o aumento da velocidade da circulação sangüínea, evidenciada pela hiperemia cutânea, a elevação da temperatura da pele, e, microscopicamente, um enchimento de maior número de capilares da pele em atividade. Estes efeitos são parcialmente reflexos devido à liberação de histamina e acetilcolina nos tecidos. O efeito reflexo verificado principalmente no deslizamento, proporcionando uma vasodilatação capilar por desencadeamento dos mecanismos vasorreflexos que intensificam a circulação, melhorando as condições de trocas iônicas nos tecidos e por ação nervosa, produzindo sedação. Esses efeitos estão relacionados à estimulação de terminações sensoriais, que promovem uma resposta reflexa mediada pela medula espinhal. Concluindo então, que os efeitos da massagem sobre a circulação sanguínea, aumentam transitoriamente o fluxo superficial de sangue.

 

Os efeitos Neuromusculares

As manobras da massagem clássica apresentam efeitos benéficos pós-exercícios por aumentar a circulação com eliminação mais rápida de substâncias residuais, melhoram a nutrição das miofibrilas e eliminam o líquido extravascular, possibilitando um aumento na excitabilidade e contratilidade.

A fricção instintiva da pele traumatizada produz um alívio da dor, que pode ser explicado pela estimulação de mecanorreceptores cutâneos, sendo esses sinais aferentes capazes de bloquear a transmissão e, possivelmente, a percepção dos sinais nociceptivos ou dolorosos. Contudo, além da explicação fisiológica do alívio da dor via massagem, o efeito psicológico desencadeado pelo toque, além do efeito relaxante associado, também tem grande influência nesse processo.

 

Os efeitos Metabólicos

Ao contrário do exercício, a massagem não aumenta o consumo de oxigênio e nem causa produção de ácido láctico.

A massagem abdominal causa diurese, esta diurese é acompanhada por elevada excreção de nitrogênio, fósforo inorgânico e cloreto de sódio.

Desde 1940 foi provado que a massagem não promovia a redução ponderal, estudos clínicos realizados em pacientes obesos revelaram que a massagem não tem efeito sobre a obesidade generalizada ou sobre depósitos especializados de gordura, sendo ineficaz para redução de peso.

 

Os efeitos Reflexos        

Os efeitos reflexos podem ser explicados pelas ações da massagem nos sistemas nervosos central, autonômico e periférico. Foram estudadas as respostas autonômicas às massagens efetuadas na coluna de pessoas normais. As respostas encontradas foram, aumento na atividade simpática, aumento da pressão sangüínea sistólica, da freqüência cardíaca, da atividade de glândulas sudoríparas, da temperatura periférica da pele, da temperatura corporal e diminuição da freqüência respiratória. Os efeitos reflexos foram descritos por diversos autores, cujo método se baseia na premissa da existência de zonas reflexas na pele, que quando comprometidas refletem alterações decorrentes de vários órgãos viscerais, e a manipulação adequada pode interferir nesse processo.

Os efeitos reflexos podem ser entendidos como alterações do limiar elétrico associadas ao sistema neurológico, obtendo-se diversos efeitos fisiológicos.

 

 

As manobras básicas da Massagem Clássica

 

Deslizamento Superficial

Consiste em movimentos deslizantes em grandes superfícies, leves, suaves e rítmicos. A pressão deve ser quase imperceptível e uniforme. A direção das manobras é indiferente, uma vez que a pressão exercida é insuficiente para afetar a circulação. Mantendo-se um ritmo uniforme, assegura-se um bom relaxamento. O seu principal efeito se faz via reflexa, produzindo uma sedação neuromuscular. Na circulação periférica há uma vasodilatação capilar por liberação de substâncias vasoativas. Provoca também uma diminuição na excitabilidade das terminações nervosas livres e auxilia na regeneração da pele.

Deve-se iniciar e finalizar a massoterapia pelo deslizamento superficial, que tem função de aumentar o limiar de sensibilidade, tornando mais agradável às manobras subseqüentes. Este fato pode ser observado se realizarmos o seguinte teste: colocar um indivíduo em decúbito ventral, realizar manobras de deslizamento superficial de um lado do dorso por alguns minutos e, em seguida, executar manobras de amassamento. No lado contralateral, executar manobras de amassamento de meso padrão e intensidade, sem o deslizamento prévio. As manobras de amassamento sem o deslizamento prévio produzem sensações, mais marcantes do que quando estão associadas às manobras de deslizamento superficial.

 

Deslizamento Profundo

É o movimento exercido com pressão suficiente para causar efeitos mecânicos e reflexos. A pressão não deve ser excessiva para não criar um mecanismo reflexo de defesa. É indispensável que o grupo muscular a ser submetido ao deslizamento profundo esteja relaxado e que seja observado o sentido da drenagem venosa e linfática. Os seus efeitos devem-se mais à ação mecânica, favorecendo e esvaziamento venoso e linfático; atua fundamentalmente sobre a pela e o tecido celular subcutâneo, melhorando as condições de circulação, nutrição e drenagem dos líquidos tissulares.

 

Amassamento

É a mobilização do tecido muscular. O músculo sofre compressões alternadas no sentido da disposição de suas fibras. A pressão exercida é intermitente, deve-se evitar o pinçamento da pele e dos tecidos superficiais. O seu principal efeito é mecânico, melhorando as condições circulatórias da musculatura, liberando as aderências, eliminando os resíduos metabólicos e aumentando a sua nutrição.

 

Fricção

São movimentos circulares ou transversais, com ritmo e velocidade uniformes e pressão suficiente para mobilizar o tecido superficial em relação ao profundo. O seu principal objetivo é a liberação de aderências por ação mecânica nas traves fibróticas, além da sua prevenção após traumatismos.

 

Vibração

É o impulso vibratório transmitido à área a ser tratada. Técnica de difícil execução devido à dificuldade em se manter os tecidos a uma freqüência constante de vibração. Dentre os seus efeitos está à diminuição da hiperexcitação dos nervos.

 

Percussão

Técnica de massagem na quais os tecidos são submetidos a golpes manuais com certa freqüência, utilizando-se a borda ulnar, a mão espalmada ou fechada. Auxilia na drenagem postural por liberação das secreções (tapotagem) e, em menor grau, aumenta a circulação capilar superficial.

 

Indicações da Massagem Clássica

A prescrição da massagem deve basear-se em seus efeitos e na disfunção apresentada pelo paciente, ou seja, na presença de:

 

- edema e hematoma;

- cicatrizes aderentes;

- tensão muscular;

- dor;

- diminuição da amplitude de movimento.

Na indicação deve constar o tipo de manobra, o tempo de duração, a intensidade das manobras e a freqüência do tratamento.

 

Contra-indicações da Massagem Clássica

Existem patologias em que a massagem é contra-indicada devido ao perigo de acentuá-las ou mesmo propagá-las a outros tecidos. Segue a lista de contra-indicações comuns:

 

- tumores benignos ou malignos;

- distúrbios circulatórios (flebite, tromboflebite, trombose venosa profunda, tromboangeíte obliterante, obliteração arterial etc.);

- doenças da pele (eczema, acne, furúnculos etc.);

- hiperestesia da pele;

- gravidez – para massagens abdominais mais profundas;

processos infecciosos;

- fragilidade capilar.

 

FONTE: Guirro, E, Guirro, R; Fisioterapia Dermato-Fucional 3° Edição, Editora Manole 2002.

 

 

MASSAGEM PROFUNDA

Para Werlang (2006) massagem profunda foi projetada, para atingir o tecido conjuntivo, tendões, ligamentos e músculos. O tecido conjuntivo é o principal dos tecidos moles. Por definição, ele conecta todos os outros componentes dos tecidos moles em seu papel funcional. A pressão contínua e profunda nos tecidos causa certa lesão local e libera uma substância similar à histamina, chamada substância H, e outros metabólicos que atuam diretamente nos capilares e arteríola no local, causando uma vasodilatação. A resposta irá depender da profundidade da manipulação e da duração da aplicação. A vasodilatação local promove um aumento do liquido tecidual na área, o que provocará distensão local. Com efeito, o movimento produz uma inflamação controlada da área alvo e, ao mesmo tempo, mobiliza as estruturas que não estavam tendo uma boa mobilidade.

 

Segundo Baumgarth (2005) e Cyriax; Cyriax (2001), a massagem transversa profunda, que é a precursora da Crochetagem, também causa liberação de histamina ocasionando uma vasodilatação profunda devido às ações mecânicas ratificando uma relação entre os efeitos mecânicos e circulatórios da Crochetagem.

 

Segundo Baumgarth (2005) as principais contra-indicações para a técnica são: o terapeuta agressivo ou não acostumado com o método; os maus estados cutâneos (pele hipotrófica, pele com úlceras, as dermatoses como eczema e psoríase); maus estados circulatórios fragilidade capilar sanguínea, reações hiperistamínicas, varizes venosas, adenomas; pacientes que estão fazendo uso de anticoagulantes; abordagem demasiadamente direta em processos inflamatórios (tenosinovite, entre outras); psicológica (estresse, emoções, entre outras), idade (crianças ou idosos) ou solicitação do paciente; hiperalgia insuportável (AMORIM, 2005).

 

Referências:

BAUMGARTH, Henrique Baumgarth et al.; Os benefícios no tratamento dos sintomas do neuroma de Morton – estudo de caso; Rio de Janeiro.

 

WERLANG, Ariane G et al; Efeitos da massagem transversa profunda de Cyriax; setembro de 2006; Universidade de Passo Fundo; RS.

evandro_quiro

Fisioterapeuta formado na faculdade unisuam (Centro Universitário Augusto Motta), tendo tambem conhecimentos de técnicas terapeuticas alternativas.
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